maio 14, 2008

Sofia Lourenço

esculpindo.jpg

«ESCULPINDO A MÚSICA.» é ponto de encontro, de diálogo e de conhecimento
com personalidades ilustres da música portuguesa.

CONHECER A MÚSICA DO PORTO ROMÂNTICO - MAZURKAS E ROMANZAS, de
compositores portuenses do séc. XIX, é a proposta do nosso terceiro encontro que
se realiza no Salão Nobre da Casa-Museu Teixeira Lopes, no próximo dia 16 de Maio de 2008, pelas 21h30m.

JORGE RODRIGUES, Músico e Radialista que se consagrou no seu programa Ritornello, na Antena 2, anima o diálogo com a Pianista e Professora SOFIA LOURENÇO, que interpretará ao piano trechos musicais de compositores que marcaram a cidade do Porto nos finais do séc. XIX: Arthur Napoleão (1843-1925), Ciríaco de Cardoso (1846-1900), Óscar da Silva (1870-1958), Hernâni Torres(1881-1919), Pedro
Blanco(1883-1919) e Arthur Ferreira(1858-1926).

SOFIA LOURENÇO honra-nos com o privilégio da interpretação de alguns trechos musicais que fazem parte do seu último Cd a solo "Porto Romântico: Mazurkas e Romanzas", da editora Numérica, que lançou em Janeiro de 2008.


Sofia Lourenço, ao piano:

Oscar da Silva, Valsa 2, Vibrante


Pedro Blanco, Mazurka Triste


Publicado por samartaime às 10:53 AM | Comentários (0)

maio 13, 2008




Eram de longe.
Do mar traziam
o que é do mar: doçura
e ardor nos olhos fatigados.

Eugénio de Andrade


03 ria.JPG

Publicado por samartaime às 04:27 PM | Comentários (0)

maio 10, 2008



Noite vertebrada 2.jpg

Digitalizar0003.jpg



Digitalizar0004.jpg

Digitalizar0005.jpg


Do Medo I

É de ti que eu sou irmã
por ti fui trocada em criança
quando as estrelas semearam a noite
(Ficávamos chorando de medo
se o laço branco da trança não desse
para a escuridão toda do quarto)
Tenho os silêncios que me emprestaste
e na cidade que levantámos há pouco
(não destruiremos nunca)
habitam os pais
com os não irmãos mortos à nascença
que o eco de um flauta eternizou
no cais dos barcos pequenos de papel
somos irmãos de ninguém
ancorámos com amarras de dúvida
é nosso irmão o medo do poente
a porta azul da morte

Em redor em redor de nós
a solidão voou borboleta negra de metal
caiu enforcado público na gravata verde
(a mesma solidão que cega
os arcos concêntricos das pupilas)
desde a rua ao bolor dos corpos poetas
da porta esquecida sem número
à mulher vendida aos ventos da noite
sem nevoeiros asfixiamos nítidos
nos passeios nos fatos nas cadeiras
nas cúpulas nos clarins
e sentes contigo os corpos das mulheres
de bruços sobre o dia
renascidos maduros os limites da carne

Há nebulosas de anos sem sentido
que vimos aprendendo o amor
há um embrião de veia
há uma veia atávica vermelha
nos mil séculos anteriores ao homem
Quando nos será possível um suicídio exacto
em casas impossíveis
em ondas impossíveis
em (integralmente areia) desertos impossíveis?

Nasceu o sol na erva a erva nos degraus
os degraus desceram ao horizonte.


Luiza Neto Jorge
(1939-1989)



Publicado por samartaime às 12:10 AM | Comentários (0)

maio 07, 2008

Pina Bausch



café muller

Bandonéon

The Man I love (Gershwin)

Publicado por samartaime às 01:51 PM | Comentários (0)

maio 05, 2008

Faltava-me na colecção...



Summertime - Amália Rodrigues

Publicado por samartaime às 07:13 PM | Comentários (0)

maio 03, 2008



Meredith Monk - Gotham Lullaby [experimental / contemporary]


Publicado por samartaime às 06:29 PM | Comentários (0)

maio 02, 2008

Matisse e a dança



matisse_dance_moma_1909.jpg
1909 - MOMA, Nova Yorque.


Matisse -dance_hermitage.jpg
1910 - Hermitage, Petrograde.

... prefiro, mesmo, a mais antiga!

Publicado por samartaime às 08:20 PM | Comentários (0)



dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice

conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo

dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nenhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos

Al Berto

Al%20Berto.jpg

Publicado por samartaime às 06:55 PM | Comentários (0)

maio 01, 2008


Hoje, o Primeiro de Maio é branco!

Que os professores merecem!

manif021copy_BOO.jpg
manif017copy_BOO.jpg
manif016copy_BOO_a.jpg


(Fotos da BOO

Publicado por samartaime às 12:47 AM | Comentários (0)

abril 30, 2008

YO-YO MA : obrigado Brasil !



Yo-Yo Ma- capa.jpg

Yo-Yo Ma (Cello)
Rosa Passos (Guitarra e Voz)
Paquito D'Rivera (Clarinete)
Odair Assad (Guitarra)
Sergio Assad (Guitarra)
Kathryn Stott (Piano)
Nilson Matta (Contrabaixo)
Cyro Baptista (Percussão)


Libertango

Afro

Só danço o samba

Chega de saudade

Wapango

Aguarela Brasileira

Mais informação sobre Yo-Yo MA aqui

Publicado por samartaime às 02:20 AM | Comentários (0)

abril 29, 2008

A BOO foi a Praga....



Praga346copy.jpg


E se eu abrisse a janela?

Praga336copy.jpg

Ó miúda!... Olhó despenque!

Praga339copy.jpg


Fotos da BOO, evidentemente!


Qualquer dia, há mais!

Publicado por samartaime às 04:07 PM | Comentários (0)

abril 25, 2008

25 de Abril



Dave.jpg No dia 25 de Abril de 1974, esta era a fotografia do meu bilhete de identidade renovado em Fevereiro do mesmo ano.

Nascida de duas famílias republicanas, uma delas com «vastas tradições» de fugas, prisões, mortes e exílios, eu era uma jovem rebelde e activa que amava a liberdade sobre todas as coisas e acreditava que a escola, a saúde e a justiça eram pilares decisivos para a igualdade de oportunidades num mundo melhor. Para mim, o trabalho estava implicito na condição humana e «desemprego» era, apenas, uma questão residual de incapacidade profunda ou acidental.
Hoje sorrio e penso, com ternura, que o romantismo faz parte da juventude e, felizmente, de alguns sobreviventes de outros grupos etários.

Chegado o 25 de Abril e querendo contribuir activamente para a liberdade e o futuro, não tendo «armas» para a saúde nem para a justiça, optei pela Alfabetização. E os dias e as noites nunca foram suficientes para a formação de monitores. E os monitores nunca foram suficientes. E faltavam espaços, faltavam materiais, faltavam meios. Em contrapartida, sobravam os analfabetos. Viviamos prensados entre o querer, o poder e o conseguir.
Exterminada a Alfabetização, passei às editoriais, à imprensa. Até que um dia fui atacada pela «incapacidade acidental» !

Saída IPO.jpg Trinta e dois anos depois do 25 de Abril de 1974, eu estava como aí se vê e a situação do País foi piorando - ou clarificando, como queiram.

A verdade é que a escola pública continua com os problemas que tinha mais os derivados do agudizar da situação social.

O Serviço de Saúde é cada vez mais privado do que público e talvez venha a ser mais um chequezinho aos privados para que atendam , por misericórdia, os pobrezinhos necessitados de uma caridadezinha não vão morrer pelas ruas e assustar os turistas.

A Justiça consiste em não haver dinheiro para se recorrer a ela, em esperar anos e anos por arquivamentos, sentenças e indeminizações de 150 euros, em polícias sem meios nem para eles se defenderem dos marginais, em prender a raia miúda do costume mais os presumiveis e deixar os colarinhos financiadores em paz .

Não fora tudo isto bastante, ainda pairam no ar o trio maravilhas Santana, Menezes e Ribau, Jardim bota insulto em cima de insulto, Cavaco cala-se, e Lurdes Rodrigues despeja ódio sobre os únicos que lhe podem valer - os professores.
Entretanto, Sócrates está optimista: pudera, quem paga somos nós!


PELINGRAFIAS 030.jpg Trinta e quatro anos depois, é evidente que eu só podia estar assim! Mas ainda me ficou a liberdade de escrever isto e não ter que o meter na gaveta. Portanto, apesar dos inúmeros pesares,

VIVA O 25 DE ABRIL!

25 de Abril, sempre!

[Obrigada à minha fotógrafa de todas as horas e um bom 25 de Abril (sempre!) mais um abraço para ela]

Publicado por samartaime às 10:34 AM | Comentários (5)

abril 24, 2008

Adriana Calcanhoto



Adriana_Maré.jpg

Aqui confesso que embora tenha o cd vai para duas semanas, me tem faltado a coragem para o mostrar neste triste blogue.
Não pela música - ou melhor, não tanto pela música.
Mas pela capa: estou sempre temendo que ela, a Adriana, se transforme em vampiro e me morda o pescoço!
Não seria uma morte propriamente desagradável, convenhamos.
Mas, mesmo assim, prefiro-a menos vampiresca e mais mordente ! (rsrsrsrs)
O raça da m'lher do que se havia de alembradar!

Confessado o pecado, passemos à música:

01 - Maré

03 - «Três»

09 - Um dia desses

11 - Sargaço Mar

Publicado por samartaime às 07:46 PM | Comentários (3)

abril 23, 2008

Vicente Amigo



Vicente Amigo - Alegrias Con Baile (Joaquin Cortes)

Vicente Amigo - Vivencias Imaginadas (ZAPATEADO)

Vicente Amigo - tres notas para decir te quiero

Publicado por samartaime às 12:16 AM | Comentários (0)

abril 18, 2008

O fado da versatilidade



Fados_Carlos Saura.jpg


Lila Downs - Foi na travessa do Palha

Lura - Flor di Nha Esperança

Mariza & Miguel Poveda - Meu Fado Meu


Brigada Vitor Jara - Fado Batido


Caetano Veloso - Estranha Forma de Vida


Catarina Moura - Fado da Severa


«Fados» de Carlos Saura (I)


Extrafilme, para amantes: Desgarrada


Publicado por samartaime às 11:53 PM | Comentários (1)

abril 17, 2008

summertime (III)



Janis Joplin - Summertime (Live Gröna Lund 1969)

angelique kidjo - summertime

Billy Stewart - Summertime

Keith Jarrett - Summertime

Summertime - Ella Fitzgerald & Louis Armstrong

Scarlett Johansson - Summertime

Billie Holiday - Summertime

Devendra Banhart - Summertime

Maxim Vengerov (violino) - summertime

Leontyne Price sings "Summertime"


CHAKA KHAN ---- SUMMERTIME


Chick Corea meets Hiromi - Summertime (Live)

Boy George - Summertime

Larry Adler & Itzhak Perlman - Summertime

MILES at Montreux: Summertime
(Miles Davis Quincy Jones Gil Evans Summertime Porgy and Bess Montreux Jazz )

"Summertime" Porgy & Bess (Trevor Nunn)
Clara: acted by Paula Ingram (sung by Harolyn Blackwell)
The London Philharmonic
Simon Rattle
1993

Summertime - Dianne Reeves


Publicado por samartaime às 02:13 PM | Comentários (0)

Sei de um rio, sei de um rio



01 rio.JPG
«Sei de um rio», Camané - Pedro Homem de Melo - Alain Oulman


02 rio.JPG
«Ser Aquele», Camané - Fernando Pessoa - Popular (Fado Menor)


03 rio.JPG
«Este silêncio», Camané - Manuela de Freitas - José Mário Branco

Publicado por samartaime às 01:40 PM | Comentários (0)

abril 15, 2008

Poesia Sem Qualidade... de vida



Apontamento

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

Fernando Pessoa , via Álvaro de Campos,1929


Minibiografia

Não me quero com o tempo nem com a moda
Olho como um deus para tudo de alto
Mas zás! do motor corpo o mau ressalto
Me faz a todo o passo errar a coda.

Porque envelheço, adoeço, esqueço
Quanto a vida é gesto e amor é foda;
Diferente me concebo e só do avesso
O formato mulher se me acomoda

E se nave vier do fundo espaço
Cedo raptar-me, assassinar-me, cedo:
Logo me leve, subirei sem medo
À cena do mais árduo e do mais escasso.

Um poema deixo, ao retardador:
Meia palavra a bom entendedor.

Luiza Neto Jorge, via A Lume, 1989


Contra os optimistas

Chamam destino ao rifão do acaso
e chamam à fraude boa fortuna.
Crêem no Batman e na Virgem Maria.
Duvidam do frio, não da polícia
e nunca dão crédito àquilo que vêem.

Reservam a tempo um lugar na geral,
põem o pé entre duas ciladas
e ficam a rir-se nas fotografias.
Sujam a roupa tal como nós, mas
mandam-na sempre a lavandarias
que sabem tratar dos casos difíceis.

Nunca dão ponto sem antes o nó,
mas fazem um laço por cima do nó.
Compram revistas de aval científico
em cujos artigos se prova o seguinte:
é quase impossível determinar
se é falsa uma lágrima ou se é verdadeira.

Depois, jantam em grupo, falam dinheiro,
guiam a vida por grandes veredas e ouvem
sininhos, muitos sininhos de música sacra.

José Miguel Silva, via Ulisses Já Não Mora Aqui, 2002

Publicado por samartaime às 10:08 AM | Comentários (0)

abril 06, 2008

Até qualquer dia!...



Mali02.jpg
Mali (Foto do site oficial do Mali)

Bako Dagnon_capa.jpg (Mali)

Clicar para ouvir algumas faixas:

Faixa 03: LASSIDAN

Faixa02:TOUBAKA

Bako Dagnon live «TITATI»

Mali03.jpg
Mali (Foto do site oficial do Mali)




Maria Bethânia e Omara Portuondo no Sem Censura,«Você»


Maria Bethânia e Adriana Calcanhotto, «Cantada»


Maria Bethânia & Hanna Schygulla, «Emoções»

Maria Bethania e Zélia Ducan: «Shangrilá»

Maria Bethânia e Gal Costa - Sonho Meu

Publicado por samartaime às 07:42 PM | Comentários (0)

abril 04, 2008

«I HAVE A DREAM!...»



180px-Martin-Luther-King-1964-leaning-on-a-lectern 3.jpg

Martin Luther King
Prémio Nobel da Paz, 1964.
Assassinado a 4 de Abril de 1968 em Memphis, Tennessee

Nina Simone - «Dr.Martin Luther King», Saga of the Good Life and Hard Times


Publicado por samartaime às 01:22 PM | Comentários (0)