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fevereiro 01, 2007
«ó gente do meu país»
Vai que nem peixe espada a conversa «sobre o aborto»: comprida e chata.
Acima de tudo, vai hipócrita.
Imagine-se que até já invocam o ADN do feto para apoiar o «não à descriminalização». Mas não os oiço falar no ADN da mulher. Aliás, se é da mulher, que mal faz que esse ADN «morra» nas consequências de um aborto clandestino? Não tem importância! O que importa é salvar a todo o custo a incógnita ADN «feto» que até pode legal e clinicamente ser anulado semanas mais tarde por ser considerado que, afinal, era um «ADN incompetente» para nascer!
Como é possível ser tão manipulador?
Como é possível que as «mulheres do não» não vejam que estão contra si próprias?
Como é possível tanta posta de pescada cientificamente bacoca?
Como é possível anular-se a pessoa-mulher por um presumível existente?
Não é isso um crime contra a vida? Ou a Mulher não conta como ser vivo?
Mas o cortejo continua nas suas falácias tragico-cómicas (trágicas pela parte da mãe, cómicas pela parte do pai, digo eu parafraseando a Francelina) :
até Marcelo Rebelo de Sousa e o Bispo de Viseu não se coíbem de aparecerem a dizer que, imaginem, se fosse para «despenalizar tudo», votariam sim. Mas como é para despenalizar só o aborto (entenda-se: a mulher), votam não.
Esta é da melhor retórica misógina que já alguma vez escutei! O que eles querem de facto dizer é que penalizam mesmo a mulher, querem – mais que todos – penalizar a mulher.
A Mulher, para eles, vale o que vale a reprodução da espécie, a procriação dos filhos, de preferência o almejado e ímpar filho varão! Tudo o mais é o natural «gozo» da condição masculina!
E digo isto porque, ao engendrarem a despenalização «geral e simplex» do aborto estão, simultaneamente, a despenalizar os HOMENS-MARIDOS-AMANTES-COMPANHEIROS-NAMORADOS -PAIS E OUTROS que pressionam, obrigam, a mulher a abortar ou lhes causam traumatismos que as levam ao «aborto natural e espontâneo», vejam lá vocês!!
A esmagadora maioria dos homens sempre foi socialmente cobarde no assumir da sua sexualidade e paternidade. Essa é uma das razões pelas quais são na generalidade mulheres que acompanham a mulher desesperada que caminha para a viagem opaca e negra do aborto.
Mas isso agora não interessa nada, que essa proposta não existe nem nunca existiu mesmo: é só uma cortina de fumo para desviar as atenções e , principalmente, para confundir as pessoas menos escolarizadas .
E se fosse tempo de propostas, claro que os sapientes retóricos não apresentariam nem coisa nem loisa. O «despenalizar tudo» de agora é mais uma conversa de café: pura basófia.
Qualquer coisa como eu dizer que aquele tipo ali disse que todos nós somos filhos da mãe mas que do pai são só 33,333333 %. Boa! Mas esqueceram-se dos in vitro, das barrigas de aluguer, da produção independente, eu sei lá!
Eu quero aqui dizer que voto SIM não só para que se altere a lei que penaliza a Mulher, mas também porque entendo que a MULHER, TAL COMO O HOMEM, tem direito a uma vida sexual que só a ela diz respeito.
Porque é isto que o «não» nega implicitamente às mulheres.
O «não» sabe que fornica mais do que os filhos que tem.
O «não» sabe que não há planeamento familiar de facto.
O «não» sabe que a pílula falha.
O «não» sabe que o preservativo é falível.
O «não» sabe que não há educação sexual nas escolas.
O «não» sabe quanto custa um aborto feito em clínicas todas artilhadas.
O «não» sabe que só as mulheres pobres e muito jovens não têm dinheiro para isso!
O «não» sabe que é hipócrita.
Ou terei de concluir que todos os filhos dos «pais não» nasceram por mero acidente?
Pobres filhos do acaso!
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eu só posso votar sim !
LUDÍBRIOS
As pessoas que integram os numerosos "movimentos" pelo NÃO no referendo da IVG, continuam as suas repelentes e sofísticas campanhas de desinformação científica, jurídica, ética e política, perseguindo um status quo despótico e obscurantista que infecta um país laico, que não é uma teocracia como o Irão e outros países congéneres, e se diz pertencente à Europa civilizada.
Os senhores bispos deviam ser objecto de processos judiciais por difamação, pois sairam dos seus púlpitos e dioceses, para os ecrãs das televisões e outros espaços civis, acusando muitos milhões de mulheres portuguesas - desde as nossas avós às nossas netas - de "terroristas", "nazis" e carrascos similares aos executores de Saddam.
Eu assinaria um documento em que alguém alertasse para esse estigma sinistro atirado por alguns bispos às nossas antepassadas e familiares actuais, nos espaços da laicidade.
Porque é muito cómodo ser "voz de Deus" e voz dos Bancos e Universidades Vaticanas, cá e em tantos países, e Opus e recebedor de triliões de rendimentos de Santuários, sem imposto, e pastor de beatas analfabetas, tudo ao mesmo tempo.
Quando falam em "mulheres", os movimentos do NÃO só vêem as "putéfias" que abriram a perna indevidamente ou desmazeladamente e que não interessa se têm 12 anos ou 50, pois transportam um útero sob sequestro jurídico, para, independendo da sua consciência, vontade e circunstâncias, pôrem neste mundo um desgraçado qualquer, porque sim, como as fêmeas de qualquer espécie animal.
AS MULHERES são as filhas e as mães deles e delas, as esposas, as irmãs, as avós e vão continuar a ser as netas.
SIM PORQUE NÃO
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SIM PELA DIGNIDADE.
NÃO SE NASCE MÃE OU PAI.
NASCE-SE FILHO.
QUERE-SE UM FILHO.
NÃO UM ACASO.
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UM ESTADO QUE NÃO SE CUIDA COMO PODE CUIDAR DOS DESCUIDADOS?.
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SIM. PORQUE NÃO É SIM À INDIGNIDADE..
SIM.
PORQUE A VIDA NÃO É UM REMEDEIO PARAPLÉGICO.
MAS SIM UMA OPÇÃO ÉTICA E CONSCIENTE..
SIM PORQUE O NÃO .
É UM GRITO SURDO E SUJO NUM SACO DE PLÁSTICO...
SIM!.
SIM!.
Li seu post e os comentários. E,tal qual na música do Chico- que sei que não gostas - peço: "...mande um cravo para mim...", pois que apesar das justas críticas, receios e denúncias, há aí um debate público, que aqui sequer deixou a condição de murmúrio.
Por aqui essa questão só emerge nas pequenas rodas de grupos de mulheres que lutam por isso - e ainda são poucos,muito poucos- e há "meia dúzia de três" parlamentares (dos nossos 547) que colocam o assunto no plenário da Câmara.
Enquanto isso, há uma expansão estúpida e assustadora do turismo sexual infantil, da prostituição geral e irrestrita, da AIDS, que afeta hoje prevalentemente as mulheres casadas.
Invejo-vos, portuguêsas!
Publicado por: BIA (Brasil)
Estou de porta fechada mas já me cansei de comentar em blogs pelo voto no SIM. De qualquer forma, não queria deixar de dizer aqui que todas estas postagens esclarecedoras e não mascaradas de falsidade e ignorância são importantíssimas, assim como os comentários respectivos.
Pela minha parte, não tenho certezas absolutas que o Sim vai ganhar (já o confidenciei) mas mantenho a esperança até ao fim. Nove anos se passaram sobre o 1º referendo e em nove anos será que alguma coisa de fundo realmente mudou em Portugal? Penso que não. Sinto que o país, na generalidade e na mentalidade continua o mesmo de sempre. Espero apenas que o processo da Casa Pia e outros, como o recente caso Esmeralda, possam ter "abanado" um pouco as consciências. Não sei se em faço entender...
Pelo SIM, pela vida DIGNA, pela LIBERDADE DE ESCOLHA, POR TODAS AS MULHERES!
... agora veio o bastonário da ordem dos médicos dizer, caso o sim ganhe, que os médicos que se declararem objectores de consciência no SNS e praticarem aborto em clinícas privadas, terão graves consequências ...
está tudo dito, não está?????? ele conhece-os!!!!!
<ora venha de lá um huge SIM !!!!
Publicado por samartaime às fevereiro 1, 2007 11:38 PM