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maio 26, 2007

Portugal é tão interessante!

Ainda há pouco tinhamos um governo que os narizes de cêra diziam extraordinário de reformista, faltando-lhe apenas um pouco mais de agressividade viril de execução para atingir a sustentabilidade da excelência.

Mas, de um dia para o outro, a serena e bucólica paisagem de Bernardim, turvou-se.

O país que fervilha de concursos por medida, de doutores e engenheiros com tirocínio em piano-bar, dos MBAs de pacotilha, dos curriculos de encomenda, das teses made in net e por aí abaixo, escandaliza-se porque o cidadão Sócrates afinal não é tão engenheiro como os outros engenheiros !

E durante semanas e semanas não se fala de outra coisa. «Todo o Mundo» se justifica e atesta a excelência de, e «Ninguém paga o que deve» ! Os negócios dão para o torto, os sorrisos amarelecem e... destapam-se as verdades - que toda a gente já sabia.

Até o Ministro Mario Lino, perante toda a sustentabilidade de um auditório de excelência, numa «crise de charme adolescente», invocou a bela graça de ser «engenheiro inscrito na ordem dos engenheiros» para gáudio da magna assembléia! É o que se chama a verdadeira solidariedade institucional com o chefe - ou o chefe já é outro??

Foi uma sorte a dona Chefe da DRE do Norte não estar presente, que este desbocado ministro por certo teria ido fazer companhia ao professor que amandou uma merecida boca aos desempenhos por fax!

Pois o facto do cidadão Sócrates não ser engenheiro de papel passado dá-me um certo conforto. Pelo menos sei, dele, que não é o engenheiro de papel passado culpado directo das pontes caídas, dos túneis inundados, do betão desenfreado, etc. É mais um dos pobres que acreditaram nos engenheiros de papel passado e que agora «paga e não bufa» como mandam as finanças!

Como uma desgraça nunca vem só, aproveitando a visivel magreza do cidadão Sócrates, instalou-se o regabofe do falatório governamental: cada um diz o que lhe parece e passadas horas alguém desdiz o que ao outro parecia. Isto quando não é o próprio que vem explicar-se ao contrário depois do almoço !
Razão tem o frondoso ministro Pinho que instado sobre as trapalhadas do emprego desempregado respondeu:« EU ESTOU AQUI PARA FALAR DE TURISMO!» e abalou, de olhos redondos e baços, em busca dos allgarves.

Está-me cá a parecer que este governo está a representar o segundo acto dos edis lisbonenses e que um destes dias retoma a sua qualidade de pó - qualidade donde nunca deveria ter saído.

Publicado por samartaime às maio 26, 2007 12:33 PM

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