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junho 08, 2007

Em Lisboa, «Todo o mundo» vai ao Chiado
e «Ninguém» sabe porquê...

POETA CHIADO

CASAMENTO DE BEATRIZ VARELA COM CORIGO

Noivo - Sim.
Padrinho -…Está bem:
iguais estais nas vontades.
Dai cá as mãos, e dizei assim:
- Digo eu, Beatriz Varela,
que por meu marido e amigo
recebo a vós, João Corigo.
Tomai agora a mão dela,
e dizei, como eu disser:
- Digo eu, Lourenço Corigo,
que com vontade singela
recebo a vós, Beatriz Varela,
por mulher.
Comadre - Que fazeis? Deitai-lhe o trigo.
Quis Deus que fosseis casados.
Para que são mais trapaças?
Alçai as mãos, dai-lhe graças.
Filhos, sejais bem logrados!
Ela moça, e ele moço,
bem se foram ajuntar.
Por vós se pode cantar:
Deitem o noivo ao poço,
se com a noiva não brincar.

«Auto das Regateiras», excerto
[in: «Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (dos Cancioneiros Medievais à Actualidade)», Selecção, prefácio e notas de NATÁLIA CORREIA; Ilustrações de CRUZEIRO SEIXAS; Edição de FERNANDO RIBEIRO DE MELLO (Afrodite); Lisboa, 1965.]


António Ribeiro (o Chiado)
Poeta jocoso que viveu no século XVI.
Era conhecido pelo Chiado, por ter morado muitos anos em Lisboa, na rua assim chamada já naquele século, nome que se conservou até meados do século XIX, em que foi mudado para o de Rua Garrett. Nasceu (1520?) num humilde arrabalde de Évora, e faleceu no ano de 1591, em Lisboa. Quis professar na ordem de S. Francisco, mas não se lhe dando por válida a profissão, passou o resto da vida como celibatário, vestido sempre com hábito clerical. Apesar de não ser muito douto, tinha verdadeiro talento e bastante conhecimento das boas letras. Improvisava versos com a maior facilidade, mais pelo impulso da natureza, que de arte, sendo os seus versos muito jocosos e joviais, provocando festivos aplausos a quem os escutava. Também imitava com muita propriedade e galanteria as vozes e os gestos de diversas pessoas conhecidas. Todos estes predicados lhe alcançaram a estima geral e a maior popularidade.

Escreveu dois autos, que se imprimiram depois da sua morte, e em que seguia os modelos de Gil Vicente. São os seguintes: Auto de Gonçalo Chambão, Lisboa, 1613, 1615 e 1630; parece que anteriormente houve outras edições, ainda em vida do autor; Auto da natural invenção, que, segundo diz Barbosa Machado, foi representado na presença de D. João III, e se imprimiu, mas não declara quando, nem onde. Escreveu também umas obras religiosas, provando assim a sua afeição ao hábito franciscano que vestia, apesar de não ter podido ser frade. São elas as seguintes: Philomena dos louvores dos Santos com outros cantos devotos, Lisboa, 1585; consta de vários géneros de versos; Letreiros sentenciosos, os quaes se acharam em certas sepulturas de Hespanha feitos em trovas, Lisboa, 1602. Destes Letreiros, diz Farinha, que vira outra edição mais «antiga, feita em letra quadrada», e sem ano nem lugar de impressão, a qual estava na livraria real; diz mais, que nesta edição, além dos letreiros, vinham outras peças, o que tudo ele reimprimiu, publicando uma colecção cujo título é: Letreyros muyto sentenciosos, os quaes se acharam em certas sepulturas de Espanha, feitos por Antonio Chiado em trovas, as quaes sepulturas elle viu. E hua regra spiritual que elle fez ao Geral de S. Francisco, e assi hua petição que o mesmo Chiado fez ao Commissario, e a reposta do Geral, feita por Affonso Alvares, Lisboa, 1783. Na livraria de D. Francisco Manuel de Melo, que passou para a Biblioteca Nacional de Lisboa, existiam num livro de miscelâneas, os três seguintes autos: Pratica Doyto feguras; Auto das Regateiras; Pratica dos compadres. António Ribeiro Chiado deixou muitos manuscritos, cujos títulos vêm mencionados na Biblioteca Lusitana, de Barbosa Machado, vol. I, pág. 373. (in Dicionário Histórico)

mais informação


At_Tambur,Dança do Urso

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Estátua de António Ribeiro (Chiado)
(1520? – 1591)

Informação camarária disponível:

Localização da estátua
Largo do Chiado, Lisboa

Autoria da estátua
Estátua de António Augusto da Costa Mota (tio) e pedestal do arquitecto José Alexandre Soares.

Inauguração da estátua
18 de Dezembro de 1925

António Ribeiro, conhecido como Chiado, era natural de Évora, vindo para Lisboa após abandonar a Ordem dos Franciscanos aqui falecendo em 1591.
A estátua em bronze representa-o sentado sobre um banco, com a mão direita soerguida, em atitude de contador de histórias.

Obras:
Auto das regateyras per Antonio Ribeyro. Pratica de treze figuras, Velha, Briatiz, Negra, Comadre, Pero Vaz, Noyuo, May, Ioã Duarte, Afonso Tome, Frenã Dãdrade, Gomez Godinho, Brimanesa

Pratica dos compadres, Fernam dorta, Brasia machada, Isabel, Vasco Lourenço, o compadre, Siluestra, Moço, namorado, a comadre, caualeyro Esteuam

Pratica de oyto feguras, Faria & Payua moços, Ambrosio da gama, Lopo da silueira, Gomez da Rocha fidalgos, Negro capelã, Ayres galuam

Publicado por samartaime às junho 8, 2007 08:47 AM

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