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junho 26, 2007

Do esquecimento

Quando se recordam as atrocidades do século XX, vê-se que o pior não foram as malfeitorias dos assassinos, mas o silêncio das boas pessoas.
Martin Luther King




Martin Luther King teve um sonho, no século XX.
Pagou-o com tudo o que tinha e as boas pessoas assistiram em silêncio.

Mas o século XXI, não vai melhor.
Já se chegou ao ponto de se ser acusado de dizer a verdade, isto é, que José Sócrates é engenheiro técnico e não engenheiro DO Técnico ou afins.

A história é ridícula, bem mais rídicula que a do «falso padre» aparecido recentemente. Que este, pelo menos, andava nas bençãos possivelmente para umas banqueteadelas à borliú e mais uns trocos prás sandocas e bjécas do alterne - digo eu, que sou pérfida !

E a «história de Sócrates» é tão ou mais ridícula porquanto o cidadão José Sócrates não precisava para nada de se intitular varredor, doutor, cozinheiro, padre, engenheiro, tropa ou jardineiro para ser primeiro-ministro ! Precisava, apenas, da confiança de um conjunto de cidadãos - e teve-a, a do PS. Todo o mundo sabe.

Mais lamentavel ainda, José Sócrates não entendeu que a entrevista com Judite de Sousa era a melhor das oportunidades para terminar com a querela da manjerona - com alguma bonomia e simplicidade. Mas não foi capaz.
Do alto do seu autoritarismo autista pretendeu planar sobre a vaidadezinha da auto- promoção intelectual contínua, sobre a confusão do caos, sobre o primado da má-fé armadilhando a boa-fé. O que está um pouco gasto para a sua resplandecente modernidade.

Esqueceu-se, evidentemente, de que há muitos milhares de universitários e ex-universitários e para - universitários portugueses.

Esqueceu-se, evidentemente, que há milhares de funcionários públicos que sabem como os procedimentos legais são «burocraticamente procedidos».

Esqueceu-se, evidentemente, que só uma pequena e triste fatia de portugueses acredita em milagres e taludas.

Pior ainda, José Sócrates esqueceu-se que é o primeiro-ministro do país dos chicos-espertos (para o bem e para o mal) e que era para chicos-espertos que falava.

Como pode estranhar o evidente «Tá na cara, meu!»?

Só por genética chica-espertice.

Publicado por samartaime às junho 26, 2007 10:24 AM

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