« OXALÁ !... | Entrada | »
janeiro 19, 2008
« e pur... se muove! » (*)
O sr. Presidente da República atreveu-se, imaginem, a aludir discreta e sensatamente às discrepâncias salariais portuguesas e logo se levantaram os usuais prós e contras em gastos de tinta, papel e teleopiniões.
Os pensadores mais informados e ousados lembraram, até, o mérito e demérito implícitos na prosaica «retribuição salarial»: que, num País de rústicos, obviamente a genialidade paga-se por assalto à mão armada de lei.
Não apreciando muito a conversa, os rústicos assobiaram para o lado e foram à vidinha, esperando do sr. Presidente que os represente numa mais viva prática e meta os génios e afins na ordem: a usual delegação de poderes e fé na esperança de milagre, próprios dos brandos costumes rústicos.
Estávamos todos neste remanso quando o sr. Governador, do Banco de Portugal, nos vem esclarecer da possivel existência de presumíveis factos paralelos para já inomináveis que, a querer uma colagem mínima à verdade pressentida, nos leva a ter de acrescentar à «retribuição salarial à mão armada de lei» dos génios também a «retribuição salarial à mão desarmada de lei » desses e de outros génios.
Ora, a ser como se diz nas tvês e jornais, «os trabalhadores», neste particular os bancários portugueses, têm um altíssimo índice de produtividade, capaz mesmo de envergonhar muito sheik das arábias! Esperemos agora que isto da alta glória produtiva da banca acabe com o moderno sistema de sol a sol regressado aos horários . Que, pelo menos, algum ousado génio não se lembre de multar os bancários por excesso de zelo posto na alta glória da produtividade dos banqueiros.
Infelizmente, quem diz da «produção» dos banqueiros, diz da de industriais, de comerciantes, da alta administração pública, etc., - que esses sim, se tiverem unhas, definem, traçam e decidem estratégias e rumos da produtividade - não «os trabalhadores». Que «os trabalhadores», por aqui, continuam a não ser muito mais do que um ocasional bom ou mau recrutamento de hipotéticos departamentos ou secções de «recursos humanos», consoante o porte «empresarial». E tudo isso muito ao sabor do apetite voraz (e bilateral) da Srª Dona Cunha.
Mas desta vez ninguém falou de produtividade.
Nem da falta de formação, sequer da insufîciência das escolas.
Nem do incomensurável peso da justiça.
Nem de chicos-espertos.
Que o respeito ao carcanhol é uma coisa bonita - se queres os teus trocados.
Mas o futuro é que já não é como era: desiludam-se.
(*) «Contudo, ela move-se!», Galileu.
Publicado por samartaime às janeiro 19, 2008 05:59 PM