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abril 25, 2008

25 de Abril



Dave.jpg No dia 25 de Abril de 1974, esta era a fotografia do meu bilhete de identidade renovado em Fevereiro do mesmo ano.

Nascida de duas famílias republicanas, uma delas com «vastas tradições» de fugas, prisões, mortes e exílios, eu era uma jovem rebelde e activa que amava a liberdade sobre todas as coisas e acreditava que a escola, a saúde e a justiça eram pilares decisivos para a igualdade de oportunidades num mundo melhor. Para mim, o trabalho estava implicito na condição humana e «desemprego» era, apenas, uma questão residual de incapacidade profunda ou acidental.
Hoje sorrio e penso, com ternura, que o romantismo faz parte da juventude e, felizmente, de alguns sobreviventes de outros grupos etários.

Chegado o 25 de Abril e querendo contribuir activamente para a liberdade e o futuro, não tendo «armas» para a saúde nem para a justiça, optei pela Alfabetização. E os dias e as noites nunca foram suficientes para a formação de monitores. E os monitores nunca foram suficientes. E faltavam espaços, faltavam materiais, faltavam meios. Em contrapartida, sobravam os analfabetos. Viviamos prensados entre o querer, o poder e o conseguir.
Exterminada a Alfabetização, passei às editoriais, à imprensa. Até que um dia fui atacada pela «incapacidade acidental» !

Saída IPO.jpg Trinta e dois anos depois do 25 de Abril de 1974, eu estava como aí se vê e a situação do País foi piorando - ou clarificando, como queiram.

A verdade é que a escola pública continua com os problemas que tinha mais os derivados do agudizar da situação social.

O Serviço de Saúde é cada vez mais privado do que público. E talvez venha a ser, apenas, mais um chequezinho aos privados para que atendam , por misericórdia, os pobrezinhos necessitados de uma caridadezinha não vão morrer pelas ruas, embaraçando os transeuntes e assustando os turistas.

A Justiça consiste em não haver dinheiro para se recorrer a ela; em esperar anos e anos por arquivamentos, sentenças e indeminizações de 150 euros; em polícias sem meios nem para eles se defenderem dos marginais; em prender a raia miúda do costume mais os presumiveis; em deixar colarinhos e financiadores em paz .

Não fora tudo isto bastante, ainda pairam no ar o trio maravilhas Santana, Menezes e Ribau, Jardim bota insulto em cima de insulto, Cavaco cala-se, e Lurdes Rodrigues despeja ódio sobre os únicos que lhe podem valer - os professores.
Entretanto, Sócrates está optimista: pudera, quem paga somos nós!


PELINGRAFIAS 030.jpg Trinta e quatro anos depois, é evidente que eu só podia estar assim! Mas ainda me ficou a liberdade de escrever isto e não ter que o meter na gaveta. Portanto, apesar dos inúmeros pesares,

VIVA O 25 DE ABRIL!

25 de Abril, sempre!

[Obrigada à minha fotógrafa de todas as horas e um bom 25 de Abril (sempre!) mais um abraço para ela]

Publicado por samartaime às abril 25, 2008 10:34 AM

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