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março 08, 2009



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Samartaime, «recordando», óleo s/tela, Lisboa,13.JUN.2000.






Não sei como dizer-te que minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
- eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Herberto Helder
Ofício Cantante - A colher na boca; tríptico II

Publicado por samartaime às março 8, 2009 12:17 PM

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