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outubro 28, 2009

Laranja cor de sangue




Está tão escuro que o fim do mundo pode estar próximo.
Convenço-me que vai chover.
Os pássaros no jardim estão silenciosos.
Nada é o que parece,
Nem nós mesmos.

Na nossa rua há uma árvore tão grande
Que podemos esconder-nos todos nas suas folhas.
Nem precisaremos de roupas.
Sinto-me tão velho como uma barata, disseste.
Imagino-me passageiro de um navio-fantasma.

Agora nem um suspiro lá fora.
Se alguém abandonou uma criança no nosso patamar,
Deve estar a dormir.
Tudo está a vacilar na borda de tudo
Com um sorriso polido.

É porque há coisas neste mundo
Sem qualquer solução, disseste.
Nesse instante ouvi a laranja cor de sangue
Rebolar pela mesa e com um baque
Cair no chão rachada ao meio.


Charles Simic

Trad. de José Alberto Oliveira





Publicado por samartaime às outubro 28, 2009 09:21 PM

Comentários

Não conhecia o Autor. Gostei muito.

Publicado por: csd às outubro 30, 2009 08:58 AM

não tenho som no computador...

:-)

Publicado por: CSD às outubro 30, 2009 12:33 PM

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